– Tenho medo de morrer – disse a folha a Daniel. – Não sei o que tem lá embaixo.
– Todos temos medo do que não conhecemos. Isso é natural – disse Daniel para animá-la.
– Mas você não teve medo quando a primavera se transformou em verão. E também não teve medo quando o verão se transformou em outono. Eram mudanças naturais. Por que deveria estar com medo da estação da morte?

(BUSCAGLIA, 1982.)

A morte é muito temida, sendo uma visitante indesejável por ser desconhecida e por fugir ao nosso controle. Não estamos preparados para perder as pequenas coisas e muito menos lidar com a perda de pessoas que amamos.

Por essas dificuldades, a morte é um tabu em nossa cultura e as crianças são afetadas no acesso e na compreensão do tema quando um familiar ou algum animalzinho de estimação falece. Nessas situações acreditamos que protegemos a criança do sofrimento ao não falar sobre a morte e sobre o ocorrido, e também porque a curiosidade da criança desperta a nossa própria dificuldade em lidar com o tema.

Deixar de falar sobre a morte não evitará que ela passe pela dor da perda, pois isso é necessário e natural no processo de desenvolvimento e amadurecimento. Ao contrário do que muitos pensam, não conversar com a criança irá deixá-la confusa e com a sensação de solidão para lidar com os sentimentos difíceis que está passando.

Pensando nisso é necessário identificarmos qual a melhor forma de abordar o tema, sendo que não existe idade certa para que essa conversa ocorra, já que o assunto pode surgir por curiosidade espontânea ou por necessidade ao ocorrer o falecimento de alguém próximo.

Para auxiliar a criança na compreensão daquela perda utilizamos as atitudes de ouvir, aceitar, partilhar e ser honesto com ela. Evitar explicações fantasiosas e tratar o assunto com naturalidade. Podemos utilizar exemplos práticos para facilitar o acesso à criança, como plantar um feijão no algodão e mostrar o processo natural da vida, conforme a planta nasce, cresce, adoece e morre.

A principal dica que deixo é o uso de leituras e livros como apoio na mediação e na comunicação com os pequenos. Conforme a história é apresentada, a criança necessita criar junto com ela, vai reconhecendo a si mesma nos personagens e nos diversos aspectos da história.

Deixo aqui algumas sugestões de livros que podem ser utilizados para tratar do assunto morte:

•  “A história de uma folha” Leo Buscaglia;

•  “Menina Nina – Duas razões para não chorar” Ziraldo Alves Pinto;

•  “Os Porquês do Coração” Conceil Corrêa da Silva e Nye Ribeiro;

•  “Ficar triste não é ruim – Como uma criança pode enfrentar uma situação de pé”  Michaelene Mundy;

•  “Meu Filho Pato e Outros Contos Sobre Aquilo de Que Ninguém Quer Falar” Ilan Brenman.

Todos estes livros abordam o tema luto e morte como algo natural, de forma verdadeira como parte da vida de qualquer indivíduo. Esclareço que outros temas também podem ser abordados com livros e histórias, sendo uma ótima ferramenta na compreensão e imaginação da criança para qualquer situação que vivencie.

Psicóloga Jéssica Bianchi
CRP 06/129391

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